fragmento – – – – –

no sonho os deuses me agradecem pela vaporização fantasmal fenômeno parasitário do outro lado

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fragmento oito

oito lances de escada litros de suor voz que não se deixa propagar caminhei para o suplício, a boca as deliberações, depois não retornei. quis escrever um poema, uma carta, teorias, romances históricos, elegias, os gêneros são muitos. fiz frustrações. a cada passo dado ao redor de meu quarto (que me perdoe Xavier de Maîstre), pergunto-me: porque aqui? era necessário? o quê? quid quad quod faco experimentos mil, concentro epifanias que não têm utilidade para ninguém. convenço me mais e que me comporto como uma besta ou a ideia preaestebelecida do que se queira tomar como besta, tomo alguns exemplos: cachaça. Ricardo Lísias, CFA, Barreto, será? será!

fragmento 3/4

imprimo a mim um ritmo que não é nenhum pouco humano: o de estar aqui entre quatro paredes, só, lendo veroz livros sobre TL e cada dia que se passa emerjo-me, mas me faltam umas vozes saudosas com quem eu dialetizava

incomoda-me o fato de que praticamente todas as pessoas nas trajetórias conseguiram com a facilidade sem par sair-se bem (sem mim). aqui, se há um lado bom, é que não sou empecilho e por outro lado, ninguém é aquil

fragmento 7

outro dia conversei com m. disse-lhe que parasse. ele não me ouviu. saiu praguejando palavrões, pegou o fone de ouvido, voltou tarde pra casa. naquela época, achei debaixo da cama um caderno vermelho, em cuja capa estava escrito “retórica para o novo século”. li dois ou três contos sobre o pai; um soneto dedicado à avó e outras anotações, reflexões, apontamentos, desenhos, rabiscos.

m. nunca para. aos dezoito andava apressado, caía nos becos, os olhos muito turvos, a lua em seu pensamento. uma menina também cegueta passou nove meses ao seu lado ssssssusssssurrrrrrannnnndo cartas do século xix – m. não aguentou, fez-lhe críticas ácidas, disse que ela teria de ser realfabetizada, fora um drama. os dois pararam-se.

sei disso porque no caderno vermelho está tudo escrito. no fim segue esta carta:

“i,

passei quatro anos tentando lhe entender e, na verdade, era eu quem não me entendia. também passei quatro anos sentindo saudades suas, mas, como sempre, fui covarde e deixei que meus impulsos fechassem o meu semblante, meus olhos e meu coração.

saiba que, se não pude quebrar certas barreiras sociais, não fora por falta de vontade.

espero que tenha sucesso em sua vida, que evite pessoas de meu tipo, que acredite na felicidade e que sempre poderá ficar algum resquício de melhor do nosso suposto inimigo.

fraternidade,

m.”

fragmento 1

JOGUEI AS cartas sozinho. apostei mentalmente. disse que não ia voltar. fiz milhares de promessas; quis me disciplinar, penso em deixar, desistir dos trabalhos. gostaria de te dizer VEM aqui agora me deixa encostar a cabeça em seu ombro para que eu possa ouvir o silencio respirações sentir o conforto a segurança; tirei das minhas sensações o resto do vazio que estilhaçou este lado de cá, este lado de cá, este lado de cá, este lado de cá.

não me devolva a camisa, que no gesto meu está o jeito meu de te defender de acreditar, de apostar as cartas, não me confunda, não queira me responder, a sós com essas deduções que alimentam ainda mais a covardia que tu tens de não me dizer que já não ama mais nenhum pedaço de mim.

curiosamente não sei me embriagar – não vou cair em outros abismos, pois na lucidez dará pra perceber que minha projeção, projeção do eu, de minhas afetividades, dos acontecimentos passados transformados em imagens tem descolado-se do seu ser.

porém, não te verei apenas como pedaço ambulante de carne e de libido. porém, é o que somos; joguei as